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Antes de mais nada, eu preciso fazer uma observação importante sobre ~mim.

Eu tenho um distúrbio que quem viaja comigo bem sabe. Dei o querido nome de fome de férias. Com esse nome, bem poderia ser um desejo enorme de estar mais de férias, de viajar mais, etc. Isso tudo também é verdade, mas fome de férias é outra coisa, é sobre comida mesmo.

Acho que depois de passar o ano todo regulando o que eu como, para comer bem, saudável, em quantidades ideais e tudo mais, quando eu viajo eu me livro de tudo que é regra e fico com fome 24/7.

Fome + vontade de comer. Tudo!

Viajando para Itália, imagina? Minha expectativa era comer o país inteiro e fui muito bem-sucedida. Acho que eu comi em poucos dias a mesma quantidade de carboidrato do último ano. #NOREGRETS

fome

O que eu vou dizer não é nada de surpreendente, chega a ser um clichê, mas de fato é verdadeiro. A cultura ao redor do que se está comendo na Itália é muito forte. Existe um preciosismo com tudo que não vemos em outras partes do mundo.

Por exemplo, é muito raro encontrar restaurantes do tipo escolha uma massa e escolha um molho – assim, do jeito que o cliente quer. Isso porque cada massa foi criada para ser apreciada com um tipo específico de molho, existe uma forma correta de comer tudo. Não é bagunça!

Estava em Florença, em um restaurante reconhecido, fomos provar o prato da casa: bisteca fiorentina. O restaurante apertado com longa fila de espera e mesas compartilhadas tinha a cara de um filme italiano clássico.

Enquanto a gente esperava um lugarzinho para sentar, avistei as bistecas passando para lá e para cá, todas bem mal passadas. Pensei, não custa perguntar né? – Oi garçom, tudo bem, será que seria possível fazer a bisteca mais pra bem passada? Hm, não.

Ok, eu respeito isso. O prato é deles e acho honesto eles falarem que não porque eles acreditam de coração que é impossível uma bisteca ficar boa bem passada como eu gosto. Ok, vou pedir outra coisa e só vou provar a carne do meu namorado.

mochilando e procurando… comida! rs

Nessa mesma viagem, em Roma, estávamos em um restaurante com cara de turístico sabe? A comida era boa e tudo mais, só que não era extremamente cem por cento made in italy. Se você me entende. Pedimos um prato cada, uma massa e um risoto que vinham com frutos do mar. Avistei que a mesa ao lado tinha queijo parmesão ralado e como boa brasileira que adora colocar queijo em tudo, pedi educadamente para que o garçom trouxesse para gente também.

Pra que

Nosso garçom, um gentil jovem com forte descendência indiana, nos deu uma longa aula dizendo que nosso prato, por ter frutos do mar, não combina com queijo porque não realçava o real sabor do prato, que o parmesão servia apenas para alguns molhos, dentre elas bolonhesa, pesto e mais alguns que eu já não conseguia prestar atenção porque aquele papo estava se estendendo e eu só queria jogar queijinho no meu prato…

A honestidade italiana com relação a comida é tão grande que nos restaurantes indicam pratos que são congelados ou podem conter ingredientes congelados. Ninguém quer se responsabilizar por um prato mais ou menos – eles estão te avisando que essa não é a melhor pedida do cardápio!

Pra fechar o papo, um expresso e a conta.

Mas, attenzione

Na Itália o expresso só enche um dedinho de uma xícara pequena e é a coisa mais forte que você vai beber na vida, peça um lungo e não se arrependa.

Termino então com fome, com saudades e com um clichê: mangia che te fa bene!

Saúde!

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22 Comments

  1. Que legal! Adorei o post!
    É sempre muito interessante aprender sobre aspectos da cultura alheia, né?
    Meu marido não ia gostar desta coisa de não poder comer do jeito que gosta! kkk
    Bjs!

  2. Camila, adorei seu distúrbio “fome de férias”… kkkkkkkkk. Mas, estando na Itália, isso pode ser um tanto perigoso, né??!!

  3. Que delícia de texto!
    Sem contar o tanto que me identifiquei. “Minha expectativa era comer o país inteiro”.
    Sou comilona também e costumo enfiar o pé na jaca em todas as viagens!
    Muito interessante essa honestidade dos italianos. Pelo menos a gente sempre vai saber o que esperar da refeição.

  4. hahaha Ri muito lendo teu post. Vou pra Italia em abril e já aprendi pra não pedir queijinho no meu risoto de frutos do mar. hahah Obrigada pelas dicas!!

  5. hehehe que post divertido. É muito interessante como cada lugar se relaciona com a comida. Na China por exemplo era muito difícil convencer a pessoa do restaurante de me fazer um prato sem pimenta. Pra eles eu com certeza iria reclamar depois se a comida viesse sem pimenta hehehe.
    Me deu até ideia de escrever sobre isso. Adorei seu texto.

    • Oi Matheus! É muito engraçado essa relação das pessoas com a comida mesmo.
      Uma vez foi pedir uma pizza junto com um amigo mexicano e ele falou “vamos pedir uma normalzona né? presunto com abacaxi!” oi? hahaha

  6. Interessante essa honestidade italiana, mas desconfio que iria me estressar um pouco. Sou daquelas que quase sempre pede uma alteraçãozinha no prato…

  7. Meu coração é mais italiano que brasileiro e concordo em gênero e nùmero com as esquisitices deles! Quando comecei a ler teu texto, pensei em comentar a “chatice” do queijo no prato com frutos do mar, mas nem precisei!
    rs
    Uma aluna chegou a ameaçar sair do restaurante se o garçom não colocasse queijo em sua mesa!
    hehehehehe

  8. Muito bom esse artigo! já coloquei na lista de preparativos para a Itália, perder uns 10 kilos para compensar na viagem …. kkkk
    Parabéns!

  9. Adorei seu post!! Eu enrolo tanto para conhecer a Itália justamente pq sei que vou passar o dia comendo sabe? Do café da manhã para um gelatto, depois um capuccino num cafézinho, depois uma massinha de almoço, e mais um gelatto, outro café, um tiramissu, e por ai vai.. hahaha
    Já tinha ouvido falar no quanto os Italianos são conservadores em relação as receitas! Até vi um documentário excelente do netflix com restaurantes estrelados Michelin e dentre eles um italiano que fugiu da regra… e que no princípio foi duramente criticado.. mas hoje, claro, é um dos melhores com 3 estrelas.
    Tenho um perfil viagem econômica, mas quando se trata de comida… ai ai ai rs

  10. Sabe que eu costumo não sentir muita fome em viagens? Mas quando fui pra Itália só quis saber de comer massa e pizza 😉 Meu apetite só foi mudar quando fui pra São Paulo ano passado e descobri os prazeres de uma viagem gastronômica. Louca pra ir à Itália de novo e colocar a prova esse novo apetite.

  11. Acho que para “viver” uma viagem nada melhor do que aproveitar os pratos locais.
    O sabor fica guardado na memória. Ainda lembro do sabor e do aroma do molho de tomate que minha nona fazia quando eu tinha 10 anos. E isso faz muuuuuito tempo!
    Gosto de escolher os restaurantes pela aparência dos clientes: os moradores do local, trabalhadores da vizinhança. E espicho o olho no que estão comendo e bebendo e peço igual. Tenho a certeza que estou “vivendo” como se fosse um deles. E nunca me arrependi, principalmente qdo reparam que estou de olho, que peço opinião sobre o que comer e que sou brasileira. Aí vem um bom papo, futebol principalmente. E não falo nada de italiano e nos entendemos muito bem.
    Parabéns por seus artigos!

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